E voltamos com mais uma review! Acharam que hoje não ia ter, né? Que nada!
Hoje é sexta-feira”, TGIF, “#Sextou”; vocês escolhem. O que importa é que chegamos ao fim de semana!

E o que combina com fim de semana? Diversão, é claro! Então, pra quem só quer se divertir, eu tenho o anime perfeito. Com vocês… Hataraku Saibou!


Já imaginou como seria o mundo onde as suas células fossem assim como você: tivessem consciência e personalidades próprias, interagissem entre si e trabalhassem desempenhando papeis fundamentais na sociedade em que vivem — ou seja, o SEU corpo?
Se isso nunca passou pela sua imaginação, não se preocupe. Hataraku Saibou responde isso para você!

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Sinopse: Essa é uma história sobre você. Aliás, sobre todos nós. Nossas células trabalham incessantemente para garantir a sobrevivência e o bem-estar do nosso corpo – são os heróis anônimos da vida diária. Mas, que tal se todo esse esforço e dedicação fosse trazido ao primeiro plano? Vamos dar a elas a atenção e reconhecimento que merecem!
Hataraku Saibou aborda o cotidiano das células do corpo humano, em uma paródia antropomórfica que busca nos mostrar de uma forma personificada, divertida, fofa e extraordinariamente intensa. Prepare-se para conhecer o si próprio como nunca antes.
Atenção, células! Ao trabalho!”

A obra chama bastante a atenção das pessoas já no primeiro contato, devido à sua premissa criativa, incomum e bastante simples, mas ao mesmo tempo complexa. E as primeiras impressões do público sobre ela não poderiam ser melhores! O anime busca apresentar o comportamento e as interações das células do corpo humano um jeito antropomorfizado, simplificado e, sobretudo, divertido. E, sem sombra de dúvidas, ele consegue mais que satisfatoriamente alcançar tais objetivos.

Ainda que o título se traduza como “Células ao Trabalho”, não se referindo a um tipo de específico de célula, o anime se foca quase que exclusivamente nas células dos sistemas circulatório e imunológico. Ao longo do anime, cada uma delas é bem apresentada e utilizada no contexto da história, recebendo atenção e desenvolvimento razoáveis: desde as hemácias diligentes, passando os neutrófilos sérios e competentes, ou mesmo pelas plaquetas extremamente fofas, como também os linfócitos violentos ou ainda pelas macrófagos belas e mortais.

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Macrófagos são o pesadelo de qualquer invasor do corpo humano. Elas são impiedosas!

Entretanto, as personalidades e particularidades de cada célula não foram concebidas arbitrariamente, sendo meticulosamente desenhadas de acordo com a função que cada uma desempenha, além de seus aspectos biológicos. Por exemplo, as plaquetas são sempre representadas por crianças pois, na vida real, elas são muito menores e têm tempo de vida menor que outras células sanguíneas.

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Vai dizer que as plaquetas não são uma overdose de fofura?

Contudo, é possível dizer que, entre tantos tipos de células e seus milhões de “irmãos e irmãs”, há duas que se destacam entre: as hemácias e os neutrófilos (um tipo de célula branca). E delas surge os nossos dois protagonistas: a hemácia “AE3803”, recém-amadurecida e que tem péssimo senso de direção (algo crucial para uma célula circulatória); e o neutrófilo “U-1146”, que é bastante competente em eliminar vírus, bactérias e outros invasores. Dá para perceber que nomes não são muito úteis no caso das células, logo os personagens se referem uns aos outros apenas pelo seus tipos.

Embora sejam células de tipos diferentes, os dois sempre acabam encontrando pelos caminhos do corpo nas situações mais inusitadas e hilárias, seja por que ela se perdeu e foi parar onde não devia, ou por que ele está atrás de algum intruso. Esses encontros frequentes fazem com que surja uma amizade entre os dois, de modo que eles conseguem se reconhecer mesmo no meio de uma multidão de células do mesmo tipo!

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Kimi no… namae wa?” (Makoto Shinkai, um salve!)

O anime não apresenta um enredo em específico, seguindo um formato episódico com pequenas histórias auto-contidas e que focam em um certo tema. Alguns episódios focam em algumas atividades das células, como a circulação sanguínea ou a concepção e maturação das células dos sistemas circulatório e imunológico. Porém, em sua maior parte, ele mostra o combate aos invasores e causadores de doenças, tais como bactérias, vírus e substâncias alérgenas. As cenas de ação são bastante simples e limitadas, com algumas exceções, mas conseguem representar bem as funções das células imunológicas.

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Germes insolentes!

Hataraku Saibou é uma comédia extremamente inteligente, cujas metáforas empregadas não se limitam à personificação das células, mas também à metáforas sobre os sistemas do nosso organismo, seus processos e às anomalias e interferências que ocorrem nele. É incrível ver o quão brilhante é o autor ao reimaginá-los e integrá-los à sua história de uma forma tão criativa. Contudo, é óbvio que o anime não é perfeito, em que certas representações não agradaram a uma certa parte do público — um exemplo disso são os polêmicos episódios sobre as células do câncer.

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Um espirro.

Contudo, nem só de comédia vive a célula. Há momentos em que o anime busca imbuir emoções mais humanas nos personagens, como empatia, altruísmo e amor pelos seus companheiros. São nesses momentos que a história faz você esquecer que os personagens são células e os coloca realmente a par com os seres humanos. Há ainda certos momentos mais sérios, com bastante tensão e algum drama — com destaque para os dois últimos episódios — que não se sobressaem em relação às partes mais alegres e fofinhas, mas criam um balanço interessante na narrativa.

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Um dos episódios mais acidentalmente controversos dos animes.

Toda paródia necessita de conhecimento prévio sobre o que está sendo parodiado para ser efetiva, senão o público fica sem entender as referências e analogias realizadas. E Hataraku Saibou não foge a essa regra, uma vez que apresenta um tema bastante específico e complexo. Para não exigir que o público tenha conhecimentos aprofundados de biologia, ele se utiliza de muita exposição, incorporada nos diálogos dos personagens ou em textos e explicações pela narradora. Por mais que seja necessário e que não arruine completamente o anime, essas pausas explicativas por vezes são repetitivas e intrusivas, prejudicando um pouco o ritmo da narrativa. O lado positivo é que dá para aprender mais sobre o corpo humano de um jeito divertido e descontraído!

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Resumindo, o anime é uma ótima comédia inteligente e divertida, orientada para praticamente todos os públicos. Mesmo para quem gosta muito de animes cômicos — há várias pessoas que simplesmente não veem graça neles — ou para quem quer assistir algo “com o cérebro desligado” — só por diversão e nada mais — ainda vale muito a pena dar, no mínimo, uma chance. Para os que precisam aprender sobre o corpo humano, é um bom reforço, também! (Reforço! Não deixem de estudar!)


E acabou a review, mas o fim de semana está só começando!

Hataraku Saibou foi uma dos grandes sucessos da temporada passada. Por ser tão divertido, fofinho e por sua ideia bizarra de humanizar células, ele conquistou muita gente. E vocês, também se divertiram com esse anime maravilhoso? Conta pra gente nos comentários!

Nossa semana especial continua até domingo, então fiquem ligados! Até amanhã.

KuuhakuDesu, peace out!

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