Mais um dia, mais uma review! Começa agora o quarto dia da “Final de Temporada”. Ufa… essa semana tem sido bem lotada, hein? E a nova temporada oficialmente começou, então alguns de vocês já devem estar em outra sintonia, haha!

Mas, vamos que vamos! Com vocês, a review do próximo anime, esse que prometia bastante mas ainda assim surpreendeu bastante, High Score Girl!


high-score-girl-cover-officialSinopse: “Década de 90, Japão. Os fliperamas são uma febre praticamente epidêmica, graças aos seus jogos muito superiores tecnologicamente e aos PVPs, que capturam o interesse – e a grana – de multidões de jovens que só querem se divertir. Entre eles, está Yaguchi Haruo, um pivete viciado em jogos, seja qual for – um gamer raiz. Sua vida é perambular pelos fliperamas, jogando sozinho e contra outros jogadores – sendo bastante confiante em suas habilidades PVP. Porém, essa confiança vai por água abaixo quando ele enfrenta um oponente inesperado em Street Fighter II, seu jogo favorito: a princesinha, perfeita, riquíssima e sua colega de classe, Oono Akira! Ele a subestima por ser uma garota, mas se arrepende depois de perceber sua habilidade, e então resolve apelar com as táticas mais desprezíveis do jogo.  Depois de ganhar (no sufoco) de Akira, ele recebe seu prêmio: uma garota enfurecida quebrando a cara dele, na frente de todo mundo. Esse é o início de amizade bizarra, repleta de competição, rivalidade e muita jogatina, obviamente.”

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A wild girl appears!

High Score Girl tem uma premissa bem simples, mas que não deixa de ser interessante. Haruo, que devota sua vida aos jogos, do nada vê sua auto-proclamada hegemonia nos fliperamas ameaçada pelo aparecimento de Akira, que ninguém imaginaria ter interesse em jogos, muito menos que jogaria muito bem. Reconhecendo a habilidade da garota ele passa a observá-la pelos fliperamas da cidade, sempre olhando as suas conquistas nos jogos para tentar superá-la, para então falhar miseravelmente.

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K.O.!

Enquanto crianças, a forma como os dois interagem é bastante realista. A personalidade fechada e calada de Akira permite que o anime apresente como Haruo interpreta suas ações e expressões, que por vezes são muito óbvias, mas ele não consegue entender direito. Ele acha que o amor dela pelos games é tão fanático e exagerado quanto o dele – o que não é o caso – e então associa automaticamente tudo que ela faz a eles. É algo bastante típico das crianças, que não tem experiência em decifrar outras pessoas e, por isso, fazem associações com o que elas conhecem.

Contudo, apesar da atmosfera pura e infantil, há temas subjacentes que dão uma maior robustez à história. Akira, como a maioria das crianças de famílias ricas, é obrigada a lidar com diversas responsabilidades desde cedo, algo bastante cansativo principalmente para uma menina tão nova. E ela vê nos jogos uma forma de distração e fuga da realidade, um escape das correntes que a mantém presa. E, nesse processo, a paixão de Haruo pelo mesmo hobby e como ele sempre envolve e interage com ela a respeito dele acaba mexendo bastante com ela. Porém, isso é interrompido drasticamente quando a distância separa os dois.

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Sem Akira, Haruo ainda é o mesmo de sempre. Não estuda, não sai com os amigos, não frequenta nenhum clube da escola nem faz nada que alguém da sua idade normalmente faria; ele só em pensa jogar. É difícil imaginar que alguém assim capturaria o interesse de outras pessoas, certo? Errado! Hidaka Koharu, uma das novas colegas de classe dele, acaba se interessando bastante pelos jogos por causa de Haruo. Ela não entende como alguém poderia gostar tanto de algo a ponto de ignorar todo o resto. Novamente, assim como Akira, os jogos funcionam como meio de aproximar Koharu e Haruo.

Como o nome sugere, o anime se utiliza bastante dos videogames em sua narrativa. Por contar uma história situada em uma época anterior, ele tenta ao máximo reproduzir as características do mundo dos games naquela época. E o estilo retrô de High Score Girl é irresistível para o pessoal um pouco mais velho e que teve algum contato com jogos e consoles antigos. É uma viagem bastante nostálgica, que remete a uma época mais simples dos videogames, onde não se tinha animações realistas e os sistemas, controles e narrativas complexas, mas sim sprites pixelados, sistemas simples e jogabilidade bastante limitada.

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Ah~! Bons tempos!

High Score Girl é primariamente um slice-of-life com pequenas passagens cômicas. Contudo,  embora não seja perceptível de início, o seu tema principal é o romance. Algo especial sobre o anime é o quão orgânico os relacionamentos são e como os interesses amorosos surgem, pois ambos são crianças que têm um hobby em comum e acabam se aproximando por causa dele. Ao longo do tempo, eles conhecem melhor um ao outro, entendem suas personalidades e o contexto ao redor de cada um, e daí o sentimento floresce.

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Apesar de contar com vários personagens secundários, a história foca majoritariamente nos seus três protagonistas e, portanto, eles são os únicos que recebem um desenvolvimento mais aprofundado. Porém, é possível dizer que eles são desenvolvidos maravilhosamente bem. As suas personalidades, o amadurecimento e as mudanças pelas quais eles passam ao longo do anime e a forma como isso afeta as suas vidas são extremamente satisfatórias de se assistir.

Ainda que não seja algo explicitamente mencionado, é interessante ver o anime de certa forma abordar o assunto das mulheres no mundo dos jogos, que por muito tempo foi tido como algo “para meninos”, em especial na época em que o anime se passa. Sempre que Akira ou Koharu aparecem nos fliperamas lotados de garotos que, quando a veem, apenas mencionam a sua aparência, mas subestimam a sua habilidade. É impagável ver eles quebrando a cara elas simplesmente começam a destruir todo mundo no jogo.

Tecnicamente, o anime possui mais acertos e do que erros. Ele é animado completamente em um 3DCGI que, apesar de ser muito bem feito, não é um dos melhores que entre os animes que utilizam a tecnologia. Como dito antes, o estilo retrô que ele tenta apresentar é fantástico, envolvendo inclusive a ampla utilização de imagens dos jogos originais que aparecem na história e fazendo referência direta a eles em partes da narrativa. Os outros aspectos técnicos são bastante normais e não merecem muito destaque, mas cumprem o seu papel.

Trivia: Algo que muitos esperavam é a utilização da música “Highscoregirl“, da banda japonesa BURNOUT SYNDROMES, para a opening do anime, o que infelizmente não aconteceu. É uma música incrível, então para os interessados, aqui vai o link para o vídeo oficial no YouTube.

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O vídeo mostra história da garota que deseja alcançar a pontuação mais alta (high score).

High Score Girl é um anime maravilhoso! Se você gosta de jogos e um pouco de comédia, é um must watch. Já os elementos de drama, romance e coming of age devem interessar aqueles que gostam de uma história mais robusta e bem escrita. Provavelmente, muitos ficarão com um pé atrás devido à animação 3D, mas mesmo que você odeie isso, ainda vale a pena dar uma chance ao anime – deixar de vê-lo por esse detalhe seria um desserviço a essa obra fantástica.

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E a história ainda não acabou! O anime será lançado na Netflix em Dezembro, contando com mais 3 OVAs além dos 12 episódios exibidos na TV do Japão. Algumas fontes afirmam que o anime adaptou mais ou menos até a metade o mangá, que foi encerrado recentemente. Logo, é possível que os OVAs concluam a adaptação – comprimindo o que falta em apenas 3 episódios – ou que a série receba uma segunda temporada. Agora, é  esperar pra ver!


Todo começo tem um fim… e dessa vez o fim chegou para mais um dia de reviews (no plural? LOL) da nossa “Final de Temporada”.

O que acharam de High School Girl? Muito bom, né? Eu não li o mangá, mas quem leu, está satisfeito com a adaptação ou poderia ser melhor?

By thw way, alguém aí evita esses animes que são totalmente em 3D ou não ligam muito para isso, contanto que ele seja bom? Eu sei que é preferível ver as belíssimas animações 2D, mas o uso de 3DCGI tem melhorado bastante de uns anos pra cá.
Mas, espero mesmo que não se torne padrão da indústria…

Eu volto amanhã com mais uma review, no horário de sempre (se nada der errado!).
KuuhakuDesu, peace out!

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