Primeiramente, contexto. Escha Chron é um OVA de 2 episódios lançado em 2017 e produzido no estúdio Lerche (Assassination ClassroomClassroom of the Elite), que se inspira em um projeto de recitais apresentados no Japão em 2016 (para quem não sabe, basicamente os dubladores leem a história no palco).

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Se você nunca ouviu falar sobre, não se preocupe, poucos sabem de sua existência, ao menos aqui no ocidente. Sua sinopse, que se baseia no roteiro original dos recitais, diz o seguinte:

“A história acompanha as garotas Escha e Chron, cujas personalidades contrastantes são como o Sol e a Lua. Ambas são de ‘Terminal’, um mundo pós-apocalíptico do futuro que é vazio e sem cor. As garotas cruzam os mundos e chegam ao presente, através de um processo que denominam ‘Transit’. Enquanto experimentam da luz (cenário) e som (música) do mundo real, Terminal gradualmente se transforma em um mundo mais vívido.”  (Fonte: ANN; traduzido e adaptado)

“Certo, mas por que eu preciso saber esse contexto?”, você talvez se pergunte.

Bom… digamos que o anime não faz jus a tal sinopse recheada de ficção científica. Ela ainda é válida, mas o foco desse OVA é outro. Como já foi dito, o anime segue Escha e Chron em suas vidas cotidianas, como duas garotas normais – um slice-of-life padrão. Cada episódio apresenta uma história autocontida diferente, na qual as meninas conhecem outros personagens e, eventualmente, os influenciam e ajudam em seus problemas.

O seu apelo principal é a relação com música. Desde o princípio, a dupla de protagonistas é apresentada como amantes da musicalidade (trivia: as dubladoras cantam as músicas de abertura/encerramento).

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Isso já é explorado no primeiro episódio, no qual Chron, passeava com Escha pela cidade, decide seguir um gato que passava pela rua (quem nunca, não é mesmo?) e acaba dando de cara com um rapaz cantando ao violão. Após ouvi-lo cantar de perto, ela percebe que ele é na verdade o vocalista/guitarrista de uma banda famosa que ela acabara de ver em um telão da cidade. Fascinada, ela pede que ele cante mais, mas ele resiste – “Pague-me. Nós profissionais não trabalhamos de graça”, brinca.

Em segundo plano, é revelado que o músico, de nome Junta Kasai, enfrenta dificuldades e está sem ideias para criar novas canções, ao passo que se vê pressionado a compor algo o mais rápido possível.

 

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Nada mais estressante para um compositor que uma crise criativa.

No segundo episódio, a dupla aparece viajando de trem-bala, em meio a uma noite de nevasca, que se provou tão forte a ponto de forçar a interrupção da viajem, para evitar acidentes. Sem muitas opções, Escha e Chron decidem tentar sair a pé da estação e achar um local para passar a noite, mas a neve segue impiedosa. É aí então que Shiori Saitou (um anjo enviado pelos céus), que também viajava no trem, decide oferecer abrigo a elas na pousada de sua família. Porém, apenas depois de convencer seu pai, que veio buscá-la na estação. Já no caminho, é perceptível que a relação entre pai e filha não é das melhores. Após serem recebidas na pousada, Shiori revela a seus pais e avó que tirou “férias remuneradas de novo” do seu trabalho e que não sabe por quanto tempo vai ficar. Como era de se esperar, isso não agrada nem um pouco ao paizão, que retruca e trata a filha como irresponsável.

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Avós… ❤️

 

Ao longo de ambos os episódios, por vezes flashbacks mostram as protagonistas enquanto crianças morando sozinhas, no que aparenta ser o seu mundo de origem: Terminal. Apesar de ser bastante semelhante com a realidade, em um dado momento os objetos aparentam ser virtuais. Durante a conversa com Shiori, Chron deixa escapar que ela e Escha estão “indo de volta para casa, embora não saibam onde ela se localiza nessa era”.  Ainda, perto do fim é possível ver que as duas dispõem de tecnologia avançada e até uma forma de teletransporte, possivelmente do avanço tecnológico da época em que elas vivem. Entretanto, nada é explicitamente mencionado sobre o assunto.

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Tecnologia FTW!

Evitando ao máximo spoilers sobre como as histórias se desdobram, é possível dizer que o encontro das protagonistas com Junta e Shiori mostra-se essencial para que eles consigam enfrentar os problemas que os afligem. No fim, o questionamento sobre a coincidência do encontro entre os personagens parece ser prudente até demais.

De modo geral, Escha e Chron são protagonistas carismáticas, com personalidades que contrastam, mas se complementam. O relacionamento delas é bastante fraternal, e é interessante vê-las fazendo as coisas juntas.

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Contudo, o desenvolvimento de ambas é raso, pois não é revelado muito sobre sua história. É pouco provável que alguma delas acabe se tornando sua waifu, mas quem sabe? Quanto aos personagens secundários, respectivos dilemas à parte, eles são bastante comuns, então a menos que você simpatize com seus problemas e se ponham na pele deles, ambos são totalmente esquecíveis.

Nos aspectos técnicos, para um OVA, a animação está a um nível adequado. A trilha sonora recebeu bastante atenção, dada a relação entre o anime e música, com destaque as insert songs que tocam vez ou outra durante os episódios. Por não se tratar de uma história complexa, os trabalhos de direção e roteiro aparentam haverem sido bem executados, embora seja difícil não querer saber mais sobre o passado das garotas.

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Em resumo, o OVA desempenhou bem seu papel de apresentar o projeto e as protagonistas que o intitulam. Com um enredo autocontido bastante leve, o anime é recomendado para quem aprecia um um slice-of-life curto, sem muito moe; e para aqueles que gostam de música, em especial para fãs de anisongs.

Obrigado pela leitura. Espero que tenham gostado!


Fim da review, agora eu gostaria de me apresentar. Eu sou o KuuhakuDesu (No Game No Life, alguém?) e eu sou o novo redator do blog.
É uma honra poder escrever para o público do AnimeAnimura. Espero que gostem do meu trabalho!

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