Otoyomegatari (também conhecido como A Bride’s Story ) e um mangá romance/slice of life/seinen escrito e ilustrado por Kaoru Mori( Emma, Shirley) e publicado desde 2008 na revista Harta, pela editora Enterbrain.

Otoyomegatari conta a história de várias noivas na Ásia Central do século XIX. A primeira noiva, Amira, cruza as montanhas sozinha, montada num cavalo para se casar com Karluk, seu noivo 8 anos mais jovem que ela.

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Este é uma manga Slice of life, o que significa que a narrativa gira em torno de coisas cotidianas, desde encontros familiares, viagens a cidade e caça. É importante notar porque esses detalhes também desempenham um papel no desenvolvimento de personagens. Aprendemos cedo que a Amira vem de uma tribo de nômades e, dada a sua vida, a caça desempenha um papel importante na sua sobrevivência. Mesmo entre o seu clã, Amira é considerado uma das melhores em rastreamento, tiro ao arco e equitação. Por outro lado, a tribo de Karluk é de natureza pastoral cujas técnicas de caça foram perdidas por pelo menos três gerações. Há uma sensação de admiração incrível por aqui, não porque Amira é uma mulher, mas porque ela não só conhece “os velhos caminhos”, mas ela se destaca por eles.

Otoyomegatari

como a já visto na sinopse, otoyomegatari não foca apenas na vida cotidiana de Karluk e Amira, mas também na vida de vários outros personagens. Uma das histórias secundarias envolve duas garotas tentando encontrar maridos ricos para aliviar a pressão financeira em sua família. O que gera cenas engraçadas, como quando as gêmeas tiram os véus da cabeça quando vêem um homem que elas querem (já que apenas o marido tem a permissão para ver a cabeça descoberta da esposa) e tentar usar isso como uma estratégia para tentar força-los a se casar com elas. apesar de que isso nunca funciona. O que não as impedem de tentar, no entanto.

The Terror Twins

Kaoru Mori não é uma mangaká comum, apenas dois ou três mangás que eu conheço podem se comparar com tal magnificência (farei um post sobre mangás com ótimas artes algum dia). Todo ser humano mostrado na série tem vestes étnicas com motivos e padrões únicos, o design do personagem é variado e inclui o que provavelmente é a melhor diversidade de rostos que já vi. Eu não sou do tipo que valoriza gráficos e arte demais, mas neste mangá é um negócio sério.
Heritage
Além de ser um slice ol life, Otoyomegatari também é um seinen, o que significa que tem conteúdo maduro, mas, em menor grau do que outros títulos da demografia. Apesar de haver violência e nudez, você quase não irá ver sangue, e muito menos fanservice sexual. O conteúdo maduro do título vem principalmente na forma de serem personagens com problemas reais. Ninguém está tentando salvar o mundo ou se tornar hokage aqui, mas os personagens estão tentando viver em tempos turbulentos politicamente e culturalmente. Alguns pretendem abraçar os novos caminhos, enquanto outros preferem manter o antigo.

Azel is not impressed.

Concluindo, Otoyomegatari é uma leitura fantástica para alguém que procura algo diferente. Tem grandes personagens, muitos momentos emocionantes e até algum humor e tragédia também. Não é para pessoas culturalmente insensível, já que algumas das práticas exploradas aqui (como se casar com mulheres por x-razões) são estranhas a nós, mas naturais para a cultura em que o mangá está focado. Se você estiver disposto a sair da sua zona de conforto, você encontrará uma ótima história aqui, que com certeza, não irá te decepcionar.

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